Entenda as funções da vitamina D no corpo e como mantê-la em nível saudável

Em um mundo que nos exige mais tempo entre paredes, seja do escritório ou em casa, fazendo home office, o contato com os raios solares se restringe, o que pode acarretar em consequências nada agradáveis para o organismo. Uma delas é a falta de vitamina D. Esse nutriente é importante para a absorção de cálcio, além de desempenhar outras funções, relacionadas à imunidade e ao sistema digestório.

O médico endocrinologista, Marcelo Pedro Ramos, explica que o nutriente é produzido a partir da incidência da luz solar sobre a pele: "Em torno de 80% a 90% da vitamina D é formada quando os raios solares (UVB) entram em contato com a pele, o que ativa sua produção inicial a partir de partículas de colesterol. O restante é de origem alimentar. A sua metabolização é realizada no fígado e nos rins, órgãos responsáveis por transformá-la em sua forma ativa. Quando ela atinge essa fase, pode ser absorvida e utilizada pelo corpo em diversas funções essenciais".

Entre os locais que a vitamina D mais atua no organismo estão os sistemas muscular, ósseo e imunológico. "Ela auxilia na absorção de cálcio a nível de trato digestório, auxiliando na formação e na manutenção de ossos e dentes. Também age no sistema muscular e imunológico, no processo de força muscular e resposta imunológica, respectivamente", conta o especialista.

Ao aprofundar-se nessa questão do sistema imunológico, o médico endocrinologista afirma que a Vitamina D é uma força importante no processo de defender o organismo de agentes causadores de doenças: "Existem evidências de que a vitamina D atua sim na imunidade, pois existem receptores para esse nutriente em praticamente todas as células de nosso organismo. Há ainda vários estudos experimentais em que a vitamina D mostrou estimular a proliferação de células de defesa e a produção de substâncias antimicrobianas, aumentando, assim, a eliminação de bactérias, vírus e fungos".

De acordo com Ramos, a dose ideal diária de vitamina D varia para cada pessoa, porém, acredita-se que, em pessoas com níveis normais, a quantidade ao dia pode variar entre 1000 a 5000 Ui (Unidade Internacional), o que equivale a doses de 25 a 125 microgramas. Para quem busca esse nutriente na dieta, o profissional explica que os alimentos não concentram grandes quantidades da vitamina, mas que ainda é possível encontrá-la em: salmão, ostras, sardinhas, cavala, atum em conserva, óleo de fígado de bacalhau, leite integral, gema de ovo e cogumelos.

Suplementação de vitamina D

Outra forma de se obter vitamina D é a suplementação. Contudo, não é recomendado tomá-la sem orientação médica. "O ideal seria passar em consulta médica e dosar a vitamina D por meio de um exame de sangue. Ao tomar a suplementação sem a supervisão de um médico, pode-se ingerir uma dose inadequada, abaixo ou acima do nível correto. Em casos do uso excessivo, por exemplo, pode ocorrer uma intoxicação por vitamina D no organismo, desencadeando outros problemas para a saúde", observa o médico.

Soma-se isso ao fato de que nem todas as pessoas precisam tomar vitamina D como suplementação regularmente, conforme diz Ramos: "Todas as pessoas podem dosar, porém, não é indicado uma avaliação rotineira de dosagem do nutriente para pessoas saudáveis. Isso deve ser mais direcionado para pessoas consideradas do grupo de risco, pois possuem uma maior probabilidade de desenvolver problemas pela deficiência da vitamina". Segundo o profissional, estão no grupo de risco:

  • Pessoas com exposição solar limitada;
  • Idosos acima de 60 anos de idade;
  • Pessoas com obesidade ou que sofrem com síndromes de má absorção no trato digestório;
  • Pessoas com osteoporose ou com fraturas e quedas recorrentes;
  • Gestantes;
  • Diabéticos;
  • Pessoas com câncer, doenças auto-imunes e renal crônica;
  • Pessoas com insuficiência hepática;
  • Pessoas em tratamento com medicamentos de uso contínuo, por exemplo, corticoides, anticonvulsivantes e antirretrovirais.

O tempo para dosagem também varia, entretanto, em casos mais complexos, o médico afirma: "Para pessoas do grupo de risco que estão em tratamento, a dosagem para acompanhamento pode ser realizada a cada 6 ou 12 meses".

Exponha-se ao Sol

É preciso se expor ao Sol para manter o nível adequado de vitamina D e, mesmo com as dificuldades impostas pela vida moderna, que fazem o ser humano permanecer em ambientes fechados, é possível cuidar dessa questão com poucos minutos ao dia. O médico endocrinologista finaliza dando dicas de como fazer isso corretamente:

  • Deve-se tentar uma exposição solar adequada, em horários de segurança para não aumentar o risco de câncer de pele. O período do dia mais propício para estimular a obtenção de vitamina D é entre 10h e 15h. Isso porque é nessa faixa de tempo que a incidência de raios UVB atinge seu pico. Todavia, no verão ou em temperaturas acima de 30º C, é melhor evitar o sol do meio-dia, que pode ser muito intenso e perigoso;
  • Ficar exposto aos raios solares, sem protetor solar, por 15 minutos, gera 3000 UI (75 microgramas) de vitamina D para pessoas de pele clara. Quem tem a pele mais escura deve ficar mais tempo, cerca de 30 a 60 minutos, pois a quantidade de melanina dificulta a absorção dos raios UVB;
  • Faça isso, pelo menos, 3 vezes por semana.

Vale lembrar que, nos casos em que não seja possível se expor aos raios solares, ou seja contra-indicado, é preciso buscar um tratamento de suplementação regular e, sempre, fazê-lo acompanhado por um médico.

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