Alimentação de crianças em fase escolar: como guiá-las por um estilo de vida saudável

Ter consciência sobre o que se come é estar conectado com as necessidades do corpo. Despertar para esse processo pode ser difícil, ainda mais com a quantidade de alimentos nada saudáveis que se tem à mão. Quando se trata de crianças, é importante guiá-las por esse caminho saudável e acompanhá-las à medida que conquistam autonomia. No caso das que estão em fase escolar - entre 6 e 10 anos de idade, conforme o Manual de Orientação para a Alimentação Escolar [https://bit.ly/2ZDwaYB]- a descoberta de hábitos alimentares é constante, e o auxílio de pais e cuidadores é um componente essencial para que os pequenos aprendam a prezar pelo equilíbrio.

Segundo a nutricionista infantil Mariana Sisdelli - especializada em Nutrição Clínica em Pediatria pela Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo) -, é preciso que a alimentação se adapte às necessidades da criança. "Na fase escolar acontece uma melhor socialização e maior independência, o que resulta no aumento da aceitação de diferentes preparações alimentares. Ao mesmo tempo, inicia-se o comportamento sedentário, com o uso de videogame, tablet, computador, televisão, etc. A inapetência [falta de apetite] comum da criança em período pré-escolar é transformada em um apetite voraz, que deve ser compatível com o estilo de vida e rotina escolar", explica.

O primeiro cuidado, de acordo com a nutricionista, é o comportamento alimentar e a rotina da família. As crianças precisam de bons exemplos dos pais e cuidadores para se espelhar. Outras dicas da profissional são:

  • Fazer todas as refeições nos horários regulares (Intervalos de 3 a 4 horas entre as refeições);
  • Comer devagar e mastigar bem os alimentos;
  • Fazer as refeições na mesa junto da família ou do cuidador, se possível;
  • Esquecer outras atividades durante as refeições, como o uso de televisão, tablet, celular, videogame etc.;
  • Realizar as refeições em lugares calmos e tranquilos;
  • Deixar a criança participar do preparo das refeições;
  • Permitir que ela coma sozinha.

Ao pôr em prática essas sugestões, o acompanhamento também é essencial. Mais do que obedecer, a criança precisa compreender a importância dessas medidas. "Elas são muito espontâneas na fase escolar, então costumam comentar com os amiguinhos e familiares sobre os alimentos e a rotina que costumam seguir, assim, os pais e cuidadores podem observar como está a conscientização sobre esse tema", conta Mariana Sisdelli, e completa: "é sempre importante orientá-las para que tenham uma constante conscientização, já que em cada fase existem mudanças nas preferências alimentares e na rotina".

Porém, nem sempre os pequenos vão aceitar tudo o que lhe for preparado. Ao rejeitar o consumo de certos alimentos, a nutricionista infantil recomenda apresentá-los em vários formatos: "Para as crianças que têm dificuldades em aceitar alguns alimentos, é importante que eles sejam oferecidos várias vezes, preparados de maneiras diferentes. Por exemplo, o ovo pode ser servido cozido, mexido, em forma de omelete, pochê ou em receitas com legumes. Outra ideia é montar pratos decorados em forma de carinhas ou com formato de bichinhos. Com isso, estimula-se a curiosidade das crianças e facilita o consumo", afirma.

Alimentação na escola

De acordo com o Manual de Orientação para a Alimentação Escolar, o rendimento das crianças na escola está diretamente ligado a sua alimentação. Então, além dos cuidados em casa, é essencial orientar e verificar como elas se alimentam fora de casa, principalmente na escola: "Os pais e cuidadores devem estar a par do cardápio da escola e como está a aceitação da criança para ele. Ultimamente, as escolas já têm ofertado cardápios equilibrados, mas, a principal dica para os pais e cuidadores é a atenção com possíveis fast foods e bebidas açucaradas (salgadinhos, preparações com frituras, refrigerantes, etc) que podem ser oferecidos nas cantinas", alerta Marina Sisdelli.

Os educadores também podem desempenhar um papel de estímulo junto aos estudantes. "Os educadores, sempre que possível, devem incentivar hábitos alimentares saudáveis, como por exemplo, a ingestão de água e, se houver a disponibilidade, de frutas nos intervalos", observa a nutricionista infantil.

Maus hábitos alimentares: o que não fazer?

A má alimentação de uma criança pode pecar tanto pela falta quanto pelo exagero, frisa Mariana Sisdelli: "Uma alimentação desequilibrada pode não ofertar todos os grupos alimentares - proteínas, carboidratos, gorduras, vitaminas e minerais - ou ofertá-los em excesso. Isso pode resultar em um processo de desnutrição ou obesidade infantil, entre outras comorbidades".

Os efeitos desses maus hábitos podem se prolongar nas próximas fases da vida, chegando até a vida adulta. "Entre os impactos negativos estão desde carências nutricionais e obesidade, até o aparecimento de doenças, como hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus tipo 2, intolerância à glicose, dislipidemias, hipertrigliceridemia, hipercolesterolemia, doença hepática gordurosa não alcoólica, entre outras", comenta a nutricionista.

A Mariana Sisdelli também chama atenção para outra consequência grave: "A restrição alimentar aliada a outros fatores pode ocasionar no desenvolvimento de transtornos alimentares como anorexia, bulimia e compulsão alimentar". Para não prejudicar o desenvolvimento da criança, na alimentação, a nutricionista infantil listou alguns hábitos que devem ser evitados:

  • Oferecer sempre os mesmos alimentos e preparações;
  • Comer nos intervalos das refeições - principalmente guloseimas;
  • Consumir leite, iogurte e queijo após o almoço e jantar - eles prejudicam a absorção do ferro no organismo;
  • Comer em horários inadequados e realizar longos intervalos entre as refeições;
  • Oferecer doces como premiação ou recompensa;
  • Ter disponível em casa e com fácil acesso: refrigerantes, balas, chicletes, chocolates, bolachas recheadas e salgadinhos.

Ao garantir esses cuidados, os pais e cuidadores estarão guiando as crianças para um caminho com muito mais saúde. "A alimentação equilibrada desde a infância fará com que o indivíduo passe por todas as fases da vida recebendo uma alimentação de qualidade e conseguindo realizar boas escolhas. Por isso, equilíbrio é a palavra-chave para se ter hábitos alimentares saudáveis", conclui Mariana Sisdelli.

Para preparar em família

Uma das dicas mencionadas anteriormente é deixar a criança participar da preparação dos alimentos. A experiência, além de educativa, pode ser muito divertida. Por isso, a nutricionista Mariana Sisdelli sugere uma receita que pode ser feita com a ajuda dos pequenos: "Nessa fase escolar, as crianças têm maior acesso a fast foods. Pensando nisso, vou indicar a receita de pizza saudável de aveia, modelada em formato de porquinho, para o maior estímulo de consumo". Você a confere logo abaixo e, se quiser, pode acessar outras receitas no instagram da nutricionista, Pequeninos na Cozinha [https://www.instagram.com/pequeninosnacozinha/].

Pizza saudável de aveia

Ingredientes

- ½ xícara de farinha de trigo branca; - 1 xícara de farinha integral; - ½ xícara de aveia em flocos; - ½ xícara de chá de azeite; - ¾ de xícara de chá de água morna; - sal a gosto; - 1 colher de sobremesa de fermento biológico granulado; - 1 colher de sopa de açúcar demerara.

Modo de preparo

  • Em um recipiente, coloque as farinhas, a aveia, o sal, o azeite e a água morna. Misture bem com as mãos. Acrescente o açúcar e o fermento biológico granulado e amasse até a massa soltar das mãos. Se a massa ainda estiver muito pegajosa coloque um pouquinho mais de farinha. Cubra o recipiente com um pano limpo e deixe a massa descansar por 30 minutos. A massa não crescerá muito nessa etapa;
  • Depois, sove bem a massa com as mãos e abra com um rolo em uma superfície plástica ou enfarinhada. A espessura da massa deve ficar bem fininha já que ela crescerá um pouquinho no forno;
  • Faça o corte da massa nos formatos que desejar e disponha cada uma delas em uma assadeira (não precisa ser antiaderente e nem untar, pois não gruda). Asse em forno pré-aquecido a 180ºC por cerca de 10 minutos no máximo ou até dourar;
  • Retire as massas pré-assadas do forno, coloque um pouco de molho para pizza e cubra com mussarela e orégano, ou do sabor que preferir. Leve novamente ao forno a 180ºC até a mussarela derreter e sirva!

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